...

.:: sempre reservo um tempo para músicas e poesias... e muitas outras coisas que são o que eu sou, uso ou julgo sentir ::.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Caio Fernando Abreu

"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar. .."


segunda-feira, 5 de março de 2012

Caio Fernando Abreu

"É fácil morrer. A toda hora, em todos os lugares, a morte está se oferecendo. Mais difícil é continuar vivendo. Eu continuo. Não sei se gosto, mas tenho uma curiosidade imensa pelo que vai me acontecer, pelas pessoas que vou conhecer, por tudo que vou dizer e fazer e ainda não sei o que será. (...)"

domingo, 4 de março de 2012

us


E nosso dia chegou... 
mas uma vez..




feliz dia 4




1 ano e  5 meses...


amo-te ainda mais... 
^^

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Lya Luft


"Tudo é melhor do que a autocompaixão, porque nessas areias movediças quanto mais ficamos mais somos engolidos.

É o desperdício da vida que podemos ter e não curtimos, porque a tratamos como prima pobre dos nossos desejos encolhidos na medida da nossa falta de fervor"


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

(Lya Luft)

 
"(...)
mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, 
mas apenas uma pessoa: Vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher."

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Fernando Pessoa



[...]


Estou num dia em que me pesa, como uma entrada no cárcere, a monotonia
de tudo. A monotonia de tudo não é, porém, senão a monotonia de mim. Cada rosto,
ainda que seja o de quem vimos ontem, é outro hoje, pois que hoje não é ontem.
Cada dia é o dia que é, e nunca houve outro igual no mundo. Só em nossa alma
está a identidade - a identidade sentida, embora falsa, consigo mesma - pela qual
tudo se assemelha e se simplifica. O mundo é coisas destacadas e arestas
diferentes; mas, se somos míopes, é uma névoa insuficiente e contínua.
O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir ao que
amo. Desejo partir - não para as Índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul
de tudo, mas para o lugar qualquer - aldeia ou ermo - que tenha em si o não ser este
lugar. Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias. Quero repousar,
alheio, do meu fingimento orgânico. Quero sentir o sono chegar como vida, e não
como repouso. Uma cabana à beira-mar, uma caverna, até, no socalco rugoso de
uma serra, me pode dar isto. Infelizmente, só a minha vontade mo não pode dar.
A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem de cumprir-se,
sem revolta possível nem refúgio que achar. Uns nascem escravos, outros tornam-se
escravos, e a outros a escravidão é dada. O amor cobarde que todos temos à
liberdade - que, se a tivéssemos, estranharíamos, por nova, repudiando-a - é o
verdadeiro sinal do peso da nossa escravidão. Eu mesmo, que acabo de dizer que
desejaria a cabana ou caverna onde estivesse livre da monotonia de tudo, que é a
de mim, ousaria eu partir para essa cabana ou caverna, sabendo, por
conhecimento’, que, pois que a monotonia é de mim, a haveria sempre de ter
comigo? Eu mesmo, que sufoco onde estou e porque estou, onde respiraria melhor,
se a doença é dos meus pulmões e não das coisas que me cercam?






[...]


(Livro do desassossego)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Fernando Pessoa

"Em mim foi sempre menor a intensidade das sensações que a intensidade da consciência delas. 
Sofri sempre mais com a consciência de estar sofrendo que com o sofrimento de que tinha consciência" 
"As ficções da minha imaginação podem cansar, mas não doem, nem humilham"